Olá queridas!
Tenho muito pra falar hoje. Sentem-se e relaxem, rs.
18 MESES DO MATEUS
Hoje o meu amorzão completa 1 ano e meio! Está se desenvolvendo e crescendo a olhos vistos! Recebi por e-mail hoje:
Seu bebê está com 1 ano e 6 meses
Agora que o seu pequeno aprendeu a andar, vai aperfeiçoar cada vez mais essa habilidade. Mas, por enquanto, não espere corridas e piruetas. No máximo, ele vai manter as pernas bem afastadas e pode pender de um lado ao outro.
Seis meses após os primeiros passos, as crianças adquirem um andar mais firme e, aos poucos, se sentem seguras para experimentar pequenas corridas.
Lembre: agora que está crescendo, seu filho precisa de espaço para se desenvolver e treinar as novas habilidades.
Ele está nessa fase mesmo: perdendo o medo e ousando cada vez mais! Ele agora aprendeu a “pular” e achou o máximo isso. Passa o dia dando pequenos “pulinhos”. É meu companheirinho!
11 SEMANAS DE GRAVIDEZ.
Completei 11 semanas. Os enjôos continuam. Lembro que um dos piores episódios na gravidez do Mateus aconteceu quando eu estava com 11 semanas dele: enjoei muito numa manhã em que estava na rua e vomitei na parada de ônibus, com todo mundo olhando. Fiquei lá, toda vomitada, esperando meu pai, que estava por perto, me buscar e me levar pra casa, rs.
O Bebê mede 6cm e pesa 8g!!! Agora é hora dele crescer num ritmo mais acelerado. Também vai começar a fortalecer os ossos. Hora de aumentar a ingestão de cálcio já estou fazendo isso, esse final de semana eu comi um queijo inteiro, sozinha, aos poucos, rs)
MOMENTO DESABAFOGente, muita coisa ruim têm acontecido na minha vida desde que descobri a gravidez. São muitas turbulências e tribulações. Não tenho tido tranqüilidade, ando nervosa, assustada. E o Mateus tem percebido isso e, de alguma forma, têm absorvido isso também. O pai dele foi lá em casa ontem conversar comigo sobre isso. Conversamos muito. Foi uma conversa franca, sem rodeios, porém tranqüila, mas ele falou algumas coisas que me deixaram triste, como por exemplo: “você tinha tudo pra ter um futuro brilhante e jogou tudo pela janela. Você sabe que uma gravidez e um recém nascido não são fáceis, pois eu acompanhei tudo de perto”. Também falou: não vou brigar pelo Mateus na justiça, mas você, como mãe, tem que ver o que é melhor pra ele. E esse clima não está fazendo bem. Ele está calado, triste... pense bem nisso.”
Passei a noite em claro pensando em tudo isso. Pela manhã escrevi pra ele um desabafo, uma carta com 4 páginas. Vou colocar aqui alguns trechos (desculpem, mas mesmo tirando algumas partes, ainda ficou longa):
“Não dormi à noite inteira pensando em tudo o que foi conversado ontem. Pensei muito. Rezei e pedi a Deus que iluminasse meus pensamentos para tomar a melhor decisão.
Comecei a me lembrar de quando o Mateus era apenas um sonho, que começou a ser sonhado em 2005. Relendo os meus blogs antigos, naquela época, já sonhava com um filho homem que se chamaria Mateus (ou Matheus, como eu dizia na época). Pedia a Deus, naquela época, que preparasse minha vida para a chagada dele, para o dia em que pudéssemos recebê-lo. Desde então, eu sempre sonhava com esse filho. Sonhava que estava grávida, sonhava que estava com ele nos braços, sonhava que ele me mandava flores lá do plano espiritual. Em janeiro de 2008, quando resolvemos que era a hora de parar com o anticoncepcional, eu me lembro que eu quis recuar, pois sentia o peso da responsabilidade que estava por vir. Você não deixou que eu recuasse. Lembro que eu falei: “acho que vou tomar o anticoncepcional por mais um mês” e você respondeu: “não, é pra parar agora”. Encorajada pela sua determinação, resolvi parar mesmo. E já sentia dentro de mim que a gravidez iria ocorrer rapidamente (lembro também que eu falava: “mês que vem eu estarei grávida”, e você respondia: “que nada, vai demorar muito ainda”), mas eu já estava ligada ao Mateus e sentia isso muito forte dentro de mim. São coisas que só as mães podem sentir e explicar.
Quando a gravidez ocorreu, meu mundo parou. Queria sentir cada dia, cada minuto da minha gravidez da forma mais intensa possível. Ficava até feliz ao sentir os horríveis enjôos pois isso era mais um sinal de que eu estava realmente grávida. Mas do meio para o final da minha gravidez, nossos problemas começaram. Você estava com problemas na firma do meu pai, havia muita desconfiança da minha família em relação ao seu primo e a gente começou a se afastar a partir daí. Comecei a me sentir sozinha, mas nunca parava pra pensar nisso pois, no fundo, eu jamais estaria sozinha, tinha um filho dentro de mim.
Quando o Mateus nasceu, os problemas começaram a piorar. Você não sentia que a vida havia mudado para sempre. A gente agora era uma família. Pai, mãe e filho. Mas pra mim, a família era apenas mãe e filho, pois eu não sentia que você havia se entregado para a paternidade como devia. Sua vida era a mesma: ensaios, viagens, futebol, ping-pong, visitas na casa dos primos, uma vida social intensa. Não parava para apreciar e viver a vida em família, a vida com sua esposa e seu filho...
Eu imaginei que, já que você queria tanto esse filho, você iria dar um tempo para viver a paternidade de forma diferente, e me ajudar com as dificuldades de cuidar de uma criança pequena. Vendo umas fotos daquela época que estão no meu celular, a cada foto que passava eu pensava: neste dia eu estava sozinha com o Mateus, nesse também... lembro também de um dia em que o Mateus estava com uns 4 meses e ficou muito doente, com muita dificuldade para respirar. Era umas 9h da noite e eu, como sempre, estava sozinha com o Mateus pois você havia ido tocar em outro estado. Fiquei desesperada, sem saber o que fazer, pois ele não estava respirando, estava molinho em meu colo. Queria ir ao hospital, mas sozinha não dava. Tentei te ligar umas 500 vezes, mas o seu telefone estava desligado. Chorando, sem saber o que fazer, liguei pra sua irmã, que me acalmou e disse que ia tentar localizar você... nem lembro como terminou essa história.
Quando eu percebi que não havia sido como eu achava, entrei em depressão. E quanto mais eu afundava e precisava da sua ajuda, mais você se afastava de mim. Não havia mais gestos de carinho, não havia mais palavras de carinho, não havia mais ajuda mútua, não havia mais companheirismo entre nós. A gente não era mais uma família, aquele casal que tinha planejado um filho juntos, ficou pra trás. Agora era eu e o Mateus, e você e o Mateus, separado.
E minha depressão aumentando. Todos os dias no final da tarde quando dava a hora de você chegar e você não chegava, eu colocava o Mateus no carrinho e ia dar uma volta com ele, pra minha avó não me ver chorando. Me sentia sozinha, carente e abandonada.
Quem me ajudou a me tratar, não foi você, como eu esperava. Lembro bem que numa noite de setembro, eu estava sozinha (como sempre), tinha acabado de fazer o Mateus dormir e fui tomar banho (como eu não tinha marido pra me ajudar, só podia jantar e tomar banho depois que ele dormisse). Ao sair do banho, chorando, uma amiga me ligou pra saber como eu estava. Desabafei com ela. Ela é psicóloga e lembro até hoje quais as palavras dela: “amiga, você está em depressão severa. Por favor, procure um psiquiatra urgente. Isso tem cura”. No dia seguinte marquei uma consulta. Na primeira consulta, que fui sozinha, como sempre sem companheiro, a médica diagnosticou: “depressão pós-parto e estresse pós-traumático”. Lembro que liguei pra você, chorando, e dei a notícia. Você falou: “eu já sabia”. Só isso. O que eu esperava ouvir de você? “Não se preocupe. Eu estou com você. Você vai sair dessa e a gente vai voltar a ser feliz como fomos um dia”. Mas eu não escutei isso. Escutei apenas: “eu já sabia”.
Vi, naquele momento, que se quisesse me livrar da depressão, iria ter que me virar sozinha. Você já estava longe. Ao ver que o barco estava naufragando, você pulou do barco. Com a ajuda dos remédios e das amigas e de Deus, comecei a me recuperar e a ver que, dali pra frente, seria somente eu e o Mateus, como já estava sendo há quase um ano.
Comecei a ver as coisas de uma forma diferente e a ver que eu era forte sim, que eu era mãe e isso havia me fortalecido. O dia em que eu tive certeza que a nossa família não existia, foi no dia em que eu vi a foto do nosso último natal, três dias antes da nossa separação definitiva. Eu vi naquela foto uma mãe sem graça, um pai descontente e um filho perdido. Naquele dia eu percebi: o sonho acabou. Dois dias depois nos separamos.
Quanto ao Mateus, depois de tudo isso que eu passei e relatei pra você, não vou abrir mão dele. Ele é a realização de um sonho. Larguei tudo por ele. Passei por tudo isso por ele. O Mateus é minha luz em minhas horas de escuridão, foi ele a minha salvação quando eu caí, e continua sendo meu porto-seguro, o meu norte, a minha força. É por ele que eu me levantei, e é por ele que eu vou me levantar novamente. Você não tem idéia, André, da imensidão do amor que uma mãe sente por um filho. Da força desse amor que pode transformar tudo. Você disse ontem que eu “tinha tudo pra ter um futuro brilhante”. Eu ainda tenho tudo: o Mateus. Meu futuro não acabou. Isso é só uma fase passageira. Pode até parecer, mais eu não estou sozinha. Deus não se afastou de mim, como eu havia pensado.
Eu vou alugar uma casa para o Mateus ter um quintal com espaço para brincar. Vou conseguir a tranquilidade de que eu necessito. Eu vou dar para o Mateus um ambiente de paz, saudável, para que ele se sinta feliz. Como eu disse, o sonho de construir uma família com você acabou, mas agora eu tenho uma família: eu, o Mateus e o bebê. Nós três seremos uma família feliz, a família que eu sonhei.
Uma amiga, quando eu disse que estava grávida, me disse:
“Acho que se o Mateus pudesse escolher, ele gostaria sim de ter um irmãozinho ou irmãzinha! Você está construindo sua família, de uma forma diferente da convencional, é verdade, mas acredito que o correto para a família é o amor e o diálogo, fora isso, é tudo convenção.”
E é isso. Minha família não é constituída de “papai, mamãe e filhinhos” como eu sonhava, mas é a família que Deus me deu, a família que eu mereço ter e cuidar. Mamãe e filhinhos. Apenas nós três. É tudo o que eu tenho na vida.
Eu sei que vai ser muito difícil. Como você disse, a gravidez não é fácil, tem muitos incômodos. Cuidar de um bebê sozinha não é fácil. Mas não é impossível. Eu acho até que quando eu tinha que cuidar do Mateus sozinha Deus estava apenas me preparando para o que estava por vir. Não tenho medo. Estou me sentindo até mais fortalecida depois desse desabafo.
Daqui a alguns anos eu estarei feliz em minha casinha com meus dois filhos felizes, inteligentes, estaremos vivendo felizes e em paz. E eu vou olhar pra trás e vou dizer: eu venci!
A você eu agradeço por ter sido meu companheiro, um dia. Pelos momentos que passamos juntos e felizes. Por ter compartilhado comigo, um dia, o desejo de ter uma família. E por ter me ajudado a realizar uma parte desse sonho: o Mateus. Sei que por ele você também vai vencer na sua vida, e que vai ser sempre um pai presente na vida dele. Eu agradeço por isso, pois sei que isso o deixa feliz.
Daqui pra frente seguir sem medo, pelos meus filhos. Com Deus me guiando. Jesus disse: “no mundo, tereis aflições. Mas tenha bom ânimo, porque eu venci o mundo!”
E eu também vou vencer!
No fim disso tudo, ele respondeu que o que eu decidir em relação ao Mateus ele vai me apoiar sempre.
É isso amigas. Desculpe pelo desabafo e pelo longo post. Eu estava realmente precisando desabafar.
Beijos grandes.